Nós, poetas fingidores do materialismo, contemplamos apenas o que aprendemos a conhecer em nós. Há poetas que nada sabem, sustentam a ideia de que o amor é válido após um motim de infelicidade. A vida de um poeta, como a de um indivíduo, é uma penúria, um martírio desocupado, qualquer cor rasgada, qualquer cigarro empoeirado. Serdes poetas, excomungados e murchos de fé, compassivos e feitores do desconhecimento.
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sábado, 16 de junho de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Minha colheita feliz
Comprei umas sementes e pretendo construir uma fazendinha lá no quintal de casa. Daqui a alguns dias, estarei na colheita; estarei semeando. Na fazendinha há muito fumo, todas as sementes são plantadas educadamente. Nos fins de semana, banham-se, crescem esfomeadas. Sou o peão de lá, sou o capataz. Ordeno, faço e desfaço. Se estiverem realmente decididas, conhecerão os muquifos de minha cidade; espairecerão e aquentarão o espírito. E eu, burro ou não, zombaria de todos, maltrataria quem me cedesse um amor. E, durante a noite, estabelecemos uma relação precípua entre idealizações e contrastes.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Sistema de número dois
Eu só me fodo. Em casa, na rua, em qualquer lugar. Tenho quase vinte anos e não quero agradar mais ninguém. Fui um idiota, acreditei em sorrisos; fiz questão de não deixar nenhum dente cair. Hoje sou um espertalhão, hoje eu compro sorrisos. E os vendo para quem não tem dentes.
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