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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Ah



Ah, quem me dera ser tua droga
Invadir o teu sangue
Entulhar as tuas veias
Te matar sem demora.

Ah, quem me dera ser tua loucura
As meias sujas
Aceitar tuas desventuras
Criar uma mistura.

Ah, quem me dera ser 
Pra quê?
Doidice sou eu
Por não ter e querer.


sábado, 25 de agosto de 2012

O lado rosa do amor

     
        Quando eu morrer, não quero velas. Para onde irei não há necessidade de fogo, estarei repousando. Nos últimos dias de minha vida, quero os meus homens poderosos e literários. Todos livres e modernos, condenados pelos seus bens materiais. Ainda que o sol se esconda, todas as estrelas cairão por terra, os anseios para um povo melhor serão cumpridos. E os ricos e fracos, e a raça ralé, e toda a imundice do mundo, confortarão o meu peito. 
       Amigos queridos, não digam que sentirão saudades, porque o que se faz do amor, se tem por inteiro;  não dividi-se em partes. Sabem que amor é vaidade, obra da carne. Amor tem sido questionado, amor diferente do amado. Ai dos que amam, puros e inocentes, porque a inveja vive nos demais olhos contentes. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Migalha


Me calar é um crime. Para cada homem que amei, uma porrada de cana e muita maconha enxuta. Eu vou por aí, deliberadamente, com a intenção de enganar ou não. Muita violência, bebedeira e um pouco de sexo seguram a minha trama bem escrita. Estou aqui só de passagem, deixo-me ciente das implicações afetuosas. Santifico-me diante do Pai, não tenho conhecimento de alguma coisa. Mas guardo centenas de homens dentro deste pobre coração. E posso dizer que sou cabra macho: acordo cedo, café fresco na mesa, banho frio, casa limpa e homem ausente, servindo o restante da classe social.

domingo, 12 de agosto de 2012

Éden


Sempre imagino Deus nos olhando. Cada fracasso, cada desânimo, cada cobertura. Nos meus dias de sono, quando os céus se queimam, mostro-me humilde diante do Senhor. E como qualquer outro homem fraco, sei de meus pecados. E Deus insiste em entrar aqui em casa, onde todas as portas são difíceis de desemperrar. A alma nega, no entanto, que sua grave crise tenha se dado bem nas suas quantidades. E o homem destrói, constrói e enterra. São azedos, amigos e necessitados. Cada um veste o que quer. Gritam, amam e desgastam-se. Que Deus nos joga no mundo e nos deixa por tão pouco tempo? Bandeira branca para os que serão saciados. 

domingo, 8 de julho de 2012

Preguiça


Preguiça de amar. Preguiça de arrumar o quarto depois da janta. Preguiça de me pentear. Preguiça de acender um cigarro e enamorar-me loucamente. Preguiça de levantar uma casa sem cores. Sem livros. Preguiça de reunir os amigos e festejar a noite toda. Preguiça de ir ao cemitério. Os exercícios e as horas de treino estão me matando. Agora, duas vezes por semana, posso ver um filme sentado no chão. Essa morosidade é normal. 

sábado, 30 de junho de 2012

Escarro de lua


Tanto amor se fez para a derrota da humanidade. De amor em amor se fartam, se comem, se bebem. Porque o amor é libertino, abafa o silêncio, aperta o pecado. E frescurento, se opõe a divindade. Aos soberbos, sexo e missa negra. Aos espertos, um vapor do mato. Terna desgraça, desgraça amorosa. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Nisto



Não amo, mas tenho coração. Não choro, mas tenho liberdade. Não rezo, mas sou a lei. Às vezes é prazer. Às vezes é preguiça. São coisas que se entendem quanto se comem por amor. Nisto sou lindo, cheiroso e rebelde. Nisto que chamo de mundo. Nisto que amamento e ensino que o amor é a pior desonra na vida de uma família. Nisto que mato e acendo um cigarro. Nisto que bebo e transo com seis. Sou a espécie de um macho qualquer. Sou parte da ninharia coberta de terra. Uma miséria endiabrada. Um docinho nas drogas. 



domingo, 24 de junho de 2012

Desafronta


Há aqueles que ainda dizem que amar não cansa ou que acender um cigarro é entusiasmo para o pulmão. E se dizem espertos, mas amam acidentalmente. A miséria sempre se reproduzindo. Trabalha, e teima, e sofre, e pede para morrer. Quando se deseja amor, é preciso crueldade. Porque sabemos que o amor é metido, esperto, danado, desgraçado, chupão. Você pode amar qualquer coisa. Lembre-se de destruir algo primeiro. Amei muita gente e matei o que disseram ser amor.

Uma música: Goodbye To The Circus - Aqua 


terça-feira, 19 de junho de 2012

Fantasmagoria


Houve um tempo em que o amor era público. Quebrava-se o encanto e impregnava-se a gaiatice. Os homens, mesquinhos e finos de tanto amar, casariam-se por pura ingenuidade. E a crença no amor pagão tornaria-se requintada, os carentes repousariam no lampejo da noite. Porque não  há cigarro, nem café, nem maconha que o arraste de volta. O amei nas horas em que precisava de uma mãe, não de um rapaz. O amei pausadamente. Mas Topy não importou-se com tanta pieguice. Acabou, Topy. Só me resta saber quando iremos nos olhar de novo. E se nos olharmos, que ainda reste certa incerteza de que as coisas não se tumultuam por causa do que se sente. 

CARTA PARA MARIA RITA

         
         "Querida Maria, não se desespere. Não guardo mágoas por você ter dito que eu o amo. Sinto-me totalmente aliviado com sua ousadia. Menina pequena, você soube traquinar bem. A culpa é minha por ter confiado em você, eu sou carente de confiança. Eu te honrei. E quando soube que tudo estava confuso, não precisei chorar. 
       Lembro-me quando te confessei que eu o amava, você prometeu conversar comigo. Mas também disse que o cara era chato, ele iria ignorar qualquer gesto meu. Maria, são complicações que vêm do amor. E os meus amores nunca foram educados, um sempre superava o outro. Mas fiquei triste por nossa amizade, por não ter mais tempo para você. Não quero que se distancie, mas que fique ciente de que você me matou. Ao menos seja gentil e admita que mentiu para si mesmo. 
         Você ainda não amou. Também nunca namorou sério, creio eu. Você é bobinha, não saberia controlar tanto amor assim. E sei que um dia você vai se esconder quando amar, te escrevo por experiência própria. E Maria, não se esqueça de que você me impediu de presenteá-lo com os meus escritos, o que me deixou com vontade de te dar uma surra. Mas como tenho tanto amor pelo branquelo, fiz questão de não aproximar-me de ti. 
         Agora que fizeste coisa ruim, podes ter certeza que o mal vai te fazer moradia. Porque se destruíres outro amor, com qual coração tu vais amar adiante? Já não basta o que fizeste ao meu? Ou tu achas que os amigos dele vão me sustentar quando eu estiver em prantos pelos corredores? Se não queres viver no mundo, não sou eu que vou viver por ti. 
         Preciso beber um pouco mais. Depois de uns meses, quando ele estiver longe, voltarei a conversar contigo. Sentaremos na cantina. Menina modesta, te desejo sorte. E que você o diga que eu o amo loucamente – já que não sou homem de tanta coragem. E lembre-se: você destruiu um amor, vai ter sorte no jogo."

sábado, 16 de junho de 2012

Nós


Nós, poetas fingidores do materialismo, contemplamos apenas o que aprendemos a conhecer em nós. Há poetas que nada sabem, sustentam a ideia de que o amor é válido após um motim de infelicidade. A vida de um poeta, como a de um indivíduo, é uma penúria, um martírio desocupado, qualquer cor rasgada, qualquer cigarro empoeirado. Serdes poetas, excomungados e murchos de fé, compassivos e feitores do desconhecimento.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Carniça


Dentre as trevas que assolam o entardecer, o amor ressurge com um tom açucarado. Faz-se amor entre amigos, primos e irmãos; faz-se amor em tudo que é canto: na água, no mato e no lixo. Desvirtuaram a ternura divina: puseram meretrizes fartas de demônios e seus cantos adoecem os homens desta aldeia. Todavia, que é o amor? Constituído de coisa que se gasta, é guloseima aos olhos de meu povo. Ora, não há um só amor que dure, nem receio que machuque, nem criança que se esconda, nem mulher que se espante.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Cabeça


É meu, só meu. Não é literatura, é nudez. Não é escárnio, é decência. Enquanto for meu, é coisa simples, é coisa do mundo. E se não for meu, é coisa simples, o impulso é o mesmo. 


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Saudações!



Aventurei-me no amor, suavizei as cores. Pus-me a pensar, quis receber amor como quem recebia dinheiro. Acolhi a vida, deixei de lado a maconha, comprei salgadinhos; estou em pecado. Nos verões de minha cidade, passo a tarde debruçado sobre mesas. Engasguei-me com mágoas e palavras incertas, o mundo parecia-me coerente. Sinto falta de minha mãe. Nas ruas sebentas do meu Recife, assisto à velhinhas, observo seus murmúrios; é ausência de mãe. Adio o dia de hoje, ocupo-me com vaidades, estou quimicamente tratado. Pode vir algo bom de mim, estarei repousando.


terça-feira, 17 de abril de 2012

Articulação


Querido, já debrucei-me na janela com dois cigarros na boca, um copão de café na mão e pastilhas fervorosas.  São coisas pelas quais já passei, mas ainda é novidade o que vem de ti. Separei uma beira para os teus livros, a outra é para as minhas descobertas.

sábado, 14 de abril de 2012

Ciências



Amo acidentalmente. Amo por deparar-me com gente suave. Em cada amor há uma exceção, são coisas desnecessárias, vagabundas; o amor não tem de quê. Porque a vida cisma, não temos tempo para aglomerações amorosas. Eu, eu que nada sei sobre o amor, ando paciente, observo as miudezas deste mundo. Pois, não é o amor a impressão mais pura e moderna? Eu cheguei por último, estou abrindo os caixotes.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Monografia residencial


As coisas já não são mais as mesmas desde que minha mãe se foi. Não falo sobre futebol, sinuca, malhação... Não dou detalhes sobre a última garota com quem trepei. Ando inutilmente atordoado, paro de bar em bar, sinto-me incapaz de comer um doce e andar de bicicleta. Esgotou-se minha fé, dei crédito a muita burrice. Agora busco o meu fumo, acendo os meus cigarros, ausento-me do Blues, durmo no chão. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Alegria e triunfo nos céus


Cada morto com seu cajado,
Cada morto com seu remorso
Foi-se o Sol, negra está a Terra,
Foi-se a Lua, carmesim está a Terra.

Mal sabem os pequeninos
Que serão dias de pura agonia,
Importa que profetizes
Nestes dias de chama, nestes anos de fumaça.

O inferno está solto
À mercê de gente afoita,
Condenarás tu a tua própria laia?
Quando saíres à Rua com esta mesma boca?


sexta-feira, 2 de março de 2012

Capricho

REPOSTA DE UM POETA PERNAMBUCANO A UMA RAINHA ORIENTAL


E, havendo andado por tantas terras e recheando-me com muitas palavras, veio a mim um capricho. Olhai, pois, não é amor, é capricho. Mas em todas essas coisas há amor. E não só ele, o amor, mas nós mesmos, que temos um gosto levado ao extremo, também causadores de impressões desagradáveis, também domamos a língua. Ora, pois, não é amor, é capricho. Bendito seja o leite que embrulha a tua pele, bendito seja cada fio de teus cabelos, que, segundo a minha vontade, assenhorar-me-ei de ti. Porque que é a nossa vida? Desnudo-te nas maiores idiotices do mundo, desde os corredores até o degustar de tua farta boca. 


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Hollywood


Agora, pois, temei ao amor. Então, o que sentes, escreve-o num livro e envia-o aos teus amantes, aos teus répteis, às tuas desgraças. Ora, amar e gozar o que nos resta, o mistério do amor encontra-se na tua boca: o que dizes é o que amas, se maldizes, o teu amor não comerá o bem desta terra. E a tua boca não repreenderá os teus demônios, e a tua vida não será cobiçada, e as tuas palavras serão incertas, e o teu nome será riscado.