domingo, 11 de setembro de 2011

Onze do nove


Morreram na mais alta torre do mundo... 
E foram-se, castos ou não, para o lugar mais alto do mundo...

sábado, 10 de setembro de 2011

Ao léu


Vago por aí como quem não tem um lugar definido. Sinceramente, fico atordoado com as coisas do coração. Que membro mais teimoso! Se tenho algo, esse algo vai embora rapidinho. E, se te tenho, te tenho por poucos instantes. Te tenho por segundos. Às vezes te tenho aqui. Às vezes te tenho ali. Nas outras vezes, nem sinto o teu cheiro; a fragrância da tua boca. Se te gosto, me vem os maus olhares. Se te amo, me vem o amor, e te desprega de mim. E, se te espero, me falta tudo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

É diferente das outras coisas



Discretamente, eu não me importo com as coisas do mundo. E por pensar assim, acabo consumindo muita vida. Cismo que não há nada de apetitoso e pronto. A única coisa que me aquieta é saber que existem muitos deuses, mas sempre me prostro diante de um só: o Deus vivo. Engraçado é que nem sei de onde Ele veio, em qual cidadezinha deve viver... Não sei também de muita coisa sobre fé, arrependimento, mandamentos escritos. Não acendo vela pra ninguém. Pra quê tanto fogo? O do inferno já não flameja o suficiente? Quando algum parente meu morre, eu fico tranquilo. Eu até solto gargalhadas em enterros. Se morrer for bom, quem me dera morrer agora, depois dessas linhas, é claro. Espero ir para um lugar menos conturbado, mais amplo, mais nublado. A morte não me abala. Se vinhesse ao meu encontro, teria a certeza de que as pessoas viveriam as mesmas coisas de sempre: café com leite, passeios na orla e cafuné ao meio-dia. 


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Finado eu





Deixa esse mundo acabar mesmo!
Eu quero é sentir o gostinho de terra em meus lábios
Contemplaria eu outra maldade?


Que vício feio de tentar entender o mundo, ora
Deixa tudo como está!
Se tudo está assim é porque nasceu assim
Deixa esse mundo acabar mesmo!


Sou uma igreja sem ninho, sou um sem vida
Depois disso vem mais nada
Certas coisas não se extinguem tão rápido assim


Parei ali (porta fechada)
Parei aqui (porta fechada)
Trancam-se as portas, não deixam-me entrar
Porque eu tenho pressa


Então disseram-me:
 "Se é pra tá desse jeito, é melhor bater as botas de uma vez"



E quando eu morri disseram:
 "Ei-lo ali, apodrecido, exausto"

E pra onde eu fui disseram:
 "Estás limpo, de corpo e alma"



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Subjetividade de um cotidiano poetizado



Mãos ao alto!
Apropriaram-se de minha felicidade...


Já não recebo cartas, já não agasalho-me durante a friagem...
Já não alimento-me bem... Sinto-me fraco em matéria e em sentimento...
Já não banho-me de água potável... Banho-me de lágrimas...

Já não sinto-me contente... 
Tudo se foi, tudo é sem volta...


Não peça-me para ser mais casto do que estou sendo....
Já não iludo-me com sorrisos... Eu os rejeito, eu os prendo...
Qualquer um que for omiso irá me entender perfeitamente.

E já não trago mais cigarros nem docinhos dentro de minha bolsa...