sábado, 5 de novembro de 2011

Menino de olhos verdes



Menino de olhos verdes
o que queres tu de mim?
Queres um beijo?
Ou um aconchego?


Menino de olhos verdes
o que queres tu de mim?
Assanhaste-me até os nervos
Já estranho-te por tanto cavalheirismo


Menino de olhos verdes
Junta os teus olhos aos meus
E dança comigo no embalo do entardecer
Beijai-me até onde não se deve.

Embaraço


Uma focinheira para a minha boca
Música sonora para os meus ouvidos
E flores ao entardecer
E pôr do sol 


Um lugar desabitado para as gostosuras
Aconchegando cada beijo apimentado
Um aceno ao entardecer
E pôr do sol


Pasta para os meus dentes
E lentes para os meus olhos
Uma mirada ao entardecer
E pôr do sol


E pôr do sol ao entardecer:
Teu olhar interesseiro
Um dos meus refrigeradores de coração.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Esmeraldino


Eu não sei se o que sinto é amor ou tesão
Não sei se este estrupício vem do coração


E ele tem um aspecto de leite
E ele é esmeraldino
Eu já nem sei mais qual cor me cai bem.

SóRrir



Arreganho a boca com simplicidade
Nos dias de hoje não se deve abjurar um sorriso


Tanta asneira sai da tua boca 
E ainda assim não se deve abjurar um sorriso


Rir do mundo
SóRrir de tudo que contém nele.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Robótica feminina


Vestem-se, bufam. Penteiam-se, bufam. Desvestem-se, despenteiam-se. Passam um batom; embelezam-se, elas ao menos cismam que estão belas; são umas sonhadoras... Depois, estão voltadas para a outra produção: lavam, passam, coziam e dormem. Seus homens são os semeadores da casa, movem-se de canto em canto; a mesa precisa está farta e o leite fresquinho. Após a janta, é hora de serem mimadas, esgarçadas; é a delícia de serem penetradas, é a saliva gotejando de suas bocas. Desforram os lençóis da cama, acordam no chão. No dia seguinte, já estão vestidas com outra roupagem, penteiam-se de outro penteado, passam um outro batom; não têm noção de como é duro estarem bonitas; não enamoram-se de sua própria beleza.

                         Logo, o homem projeta-se em dois: é o homem e é o pai, as mulheres são só as mucamas da casa.
  (grifo meu)