Engraçado, ando perdendo muitos amores neste ano. Chateio-me com os meus entusiamos, estão cada vez mais atraentes. É fascinante observar como, num espaço tão pequeno, eles conseguem destruir tantas coisas ao mesmo tempo. Sem dor. Tudo muito rápido, muito desanimado. E eu não preciso esperar muito para me dar conta do que pedi. Se um amor se vai, recebo dois em troca. Existem muitas outras diversões para o homem, estamos em processo de evolução. O que acontece é que, para mim, não há amor em fartas doses, os sentimentos que captam o que se passa sempre terminam. Como um tal amor de faculdade. Como um tal moço que insiste em dizer que é moço. Ora, não vejo razão para tanto amor. Se um dia eu o encontrar, o direi que, para evitar um subterfúgio, o álcool era-lhe uma fuga. Aqui existo há pouco tempo, com mais inteligência. Sem amor. Com obediência.
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Peste
Engraçado, ando perdendo muitos amores neste ano. Chateio-me com os meus entusiamos, estão cada vez mais atraentes. É fascinante observar como, num espaço tão pequeno, eles conseguem destruir tantas coisas ao mesmo tempo. Sem dor. Tudo muito rápido, muito desanimado. E eu não preciso esperar muito para me dar conta do que pedi. Se um amor se vai, recebo dois em troca. Existem muitas outras diversões para o homem, estamos em processo de evolução. O que acontece é que, para mim, não há amor em fartas doses, os sentimentos que captam o que se passa sempre terminam. Como um tal amor de faculdade. Como um tal moço que insiste em dizer que é moço. Ora, não vejo razão para tanto amor. Se um dia eu o encontrar, o direi que, para evitar um subterfúgio, o álcool era-lhe uma fuga. Aqui existo há pouco tempo, com mais inteligência. Sem amor. Com obediência.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
O Vizinho
O menino se foi
Cambaleei sozinho
Sacoleja o coração
Nas entranhas do mocinho
E faz-se amor distante
Debaixo de vara, com o vizinho.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Servo
Queria que o meu menino durasse muito tempo. Mas o meu menino não sabe amar, é irracional e muito branco. Tem olhos claros, mas vive com a vista embaçada. Não vou investir mais nos pares românticos. Sou um doente condenado por consumo de versos e drogas. Aquilo que se vê pelo homem.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Poema do menino
Que és tu, menino?
Soas como a folha da maçã
Olhas como um rei esmeraldino
Que és tu, menino?
Sentes como uma rugosa avelã
Choras quanto tu és pequenino
Que és tu, menino?
Sábio sabido branquelo batido?
Te bato na fuça e estais de castigo
Partida
Ainda me resta alguns dias para decidirmos a nossa situação. Não sei se te deixo partir. Também não sei se te deixo ficar. Seria o mesmo amor de sempre: ardente como brasa que jogam do inferno, gente que se vê e ouve ao longe. O teu olhar continuaria intacto. A tua maquiagem. O sorriso de moça que escondes por detrás de um dente manchado. Mas o teu amor estaria a certa distância. Podre. Suado. Amassado. Os corredores nos segurariam. Porque fiquei a pensar se serias um orgasmo ocasional.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Pós-futurismo
Aqui debando da Literatura e trago alguns rabiscos. Daí que o processo de nascimento e desenvolvimento das cousas seja unicamente figurado.
Ivison Leal
Mônica Motoshima
Geanne Coelho
Leon Moraes
Felipe Marinho
Gabriel Bezerra
Jadson Moura
Gleydson Correia
Gaby Martins
Maria Rita
Leandro Ribeiro
Marilyn Manson
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Maquiagem
Desculpe, mas sabemos que estamos ficando velhos. Quando a carne apodrece, o coração torna-se mesquinho; o cuidado com o corpo já é suportável. Era só dizer que me amava. Era só acender um cigarro comigo. Menino, você demorou muito. Os quartos foram todos ocupados. Os ensaios, as travessuras, as divergências. Os olhares. Estou reduzindo o consumo de drogas, não há qualquer reparação a ser feita.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Fantasmagoria
Houve um tempo em que o amor era público. Quebrava-se o encanto e impregnava-se a gaiatice. Os homens, mesquinhos e finos de tanto amar, casariam-se por pura ingenuidade. E a crença no amor pagão tornaria-se requintada, os carentes repousariam no lampejo da noite. Porque não há cigarro, nem café, nem maconha que o arraste de volta. O amei nas horas em que precisava de uma mãe, não de um rapaz. O amei pausadamente. Mas Topy não importou-se com tanta pieguice. Acabou, Topy. Só me resta saber quando iremos nos olhar de novo. E se nos olharmos, que ainda reste certa incerteza de que as coisas não se tumultuam por causa do que se sente.
CARTA PARA MARIA RITA
"Querida Maria, não se desespere. Não guardo mágoas por você ter dito que eu o amo. Sinto-me totalmente aliviado com sua ousadia. Menina pequena, você soube traquinar bem. A culpa é minha por ter confiado em você, eu sou carente de confiança. Eu te honrei. E quando soube que tudo estava confuso, não precisei chorar.
Lembro-me quando te confessei que eu o amava, você prometeu conversar comigo. Mas também disse que o cara era chato, ele iria ignorar qualquer gesto meu. Maria, são complicações que vêm do amor. E os meus amores nunca foram educados, um sempre superava o outro. Mas fiquei triste por nossa amizade, por não ter mais tempo para você. Não quero que se distancie, mas que fique ciente de que você me matou. Ao menos seja gentil e admita que mentiu para si mesmo.
Você ainda não amou. Também nunca namorou sério, creio eu. Você é bobinha, não saberia controlar tanto amor assim. E sei que um dia você vai se esconder quando amar, te escrevo por experiência própria. E Maria, não se esqueça de que você me impediu de presenteá-lo com os meus escritos, o que me deixou com vontade de te dar uma surra. Mas como tenho tanto amor pelo branquelo, fiz questão de não aproximar-me de ti.
Agora que fizeste coisa ruim, podes ter certeza que o mal vai te fazer moradia. Porque se destruíres outro amor, com qual coração tu vais amar adiante? Já não basta o que fizeste ao meu? Ou tu achas que os amigos dele vão me sustentar quando eu estiver em prantos pelos corredores? Se não queres viver no mundo, não sou eu que vou viver por ti.
Preciso beber um pouco mais. Depois de uns meses, quando ele estiver longe, voltarei a conversar contigo. Sentaremos na cantina. Menina modesta, te desejo sorte. E que você o diga que eu o amo loucamente – já que não sou homem de tanta coragem. E lembre-se: você destruiu um amor, vai ter sorte no jogo."
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Um breve discurso
Acabou. Nada de babaquices, nada de encantos. Te amei de tal maneira que apaguei todos os meus cigarros, estranhei o meu conforto. Deixei amigos, bares, conversas de adultos; assédios, ameaças. Mas as tuas recordações vão passar de leve nos corredores, banheiros; nos aposentos de minha faculdade. Teus olhos me estranharam, a tua cabeça grande não imagina.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Maré alta
O branquelo dos olhos verdes voltou a me olhar. O branquelo enjoado voltou a me olhar. São olhares vagos, são incursões desajeitadas. Mas os desvios são maiores, as doidices são ameaças. Quatro olhos encontram-se inesperadamente, perdidos em corredores estirados.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Nestes dias de chuva
É nestes dias que me dá uma vontade de tomar um chá quente, de fumar um baseado, de apreciar o country camponês do Kansas, de envelhecer folheando um livro mofado. Dos contos da carochinha até as avenidas ensebadas do Recife, eu te procurei na chuva.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Orgasmo das 3
Esse teu jeito de vagabundo me deixa de pau duro; o teu sorriso de gente fina cutuca a minha alma. E os teus braços, eles já estão atrofiados de tanto me apertarem. E os teus cabelos, eles sim são macios como uma seda de fumo; e a tua boca me atanaza, me engole e me rasga; abocanha o meu coração. E não sangra. Faço questão de tirar os sapatos, é mais fácil quando se quer voar.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Cronômetro
Desculpe, mas não vou te esperar. Já separei algumas carteiras de cigarro, guardanapos e muito fumo; é o único jeito de você me ver sorrir. Já enchi a geladeira de cerveja, carne e outras porcarias, não cabe mais nada no freezer. Aí ligo o rádio... Me apaixonei pelo country, fumo um baseado e vou parar nas estradas do campo. Castles In The Air está me deixando louco! Fiquei bêbado mais uma vez, você nem notou. Queria te encontrar bêbado, eu digo coisas esplêndidas e sinto uma vontade danada de transar. É que transar contigo não seria amor, seria um suspense.
"I'm city born but I love the country
life" Don McLean
sábado, 31 de dezembro de 2011
Dose
E todas aquelas camisinhas empacotadas na gaveta foram pensando nas noites de amor que passaríamos juntos. Uma por uma, eu juntei; eu acabei juntando coisa demais. Depois joguei fora, as camisinhas e a claridade do nosso quarto. Ficava pensando em um bom amor depois da cerveja, depois do fumo; depois daquela velha lombra. Eu tinha amor guardado até na cueca. Você foi embora e ainda levou uns cigarros meus... Eu, eu que queria tanto me suicidar contigo.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Decadência
Sou doido pra te encontrar por aí, sou doido pra lamber a tua boca... E passar os dentes na tua carne, encostar o ombro na tua pança. Quero ficar contigo até o último barzinho fechar, até as estrelas esbarrarem na Terra; quero estar fora dos teus sonhos. Quando me perguntarem o que estou sentindo, eu direi que é só uma leve sensação, mais um enjoo sentimental. Um amor por um amor não vale nada, tem que ser dois amores dentro de um só: tem que ser nós. A dúvida é sua, a carga que é minha.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Bobagem
Alguma delas aí já te falou de amor? De como é bom amar, dormir depois da janta? Arrisco. Improviso. Eu não resisto a amores endiabrados, sobrecarregados de entulhos. Os teus amigos estão só de passagem, eles não precisam saber de nós. Te aguardo em um vasinho de flores, te beijo em um dia de neve, te esquento quando estiverem te dando o maior gelo; te faço palavras. Te dou amor até debaixo de raios e trovões, com ou sem cerveja. Te levo pro escuro, te solto no mato. Sempre quis entrar no teu carro; cruzar a tua estrada, ficar de olho nos teus pés.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Introdução
Te amo nos dias de caça, nos dias de pico, naquele friozinho danado. Te amo quando sento-me em um bar e vejo gente desconhecida, gente bêbada. Não dói te amar, não causa espanto. Amar-te é idealizar-se. E, se por qualquer outro dia, a gente se olhar de novo, creio que, quando eu estiver caducando, irei a um oftalmologista. Então, ele vai dizer o que todos os outros já me disseram: "Essa sua cegueira é por falta de amor". Mas meus exames cardiológicos estão normais.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Luz
Me pega no colo, me põe pra dormir. Apaga a luz. É no escuro que dois corpos se confundem, é no escuro que as mãos se cruzam; anima-se o amor, anima-se o fervor. Porque o meu coração está entupido de miradas; já não suporto teus olhares, já não me entram os teus sabores. Não estou querendo falar de amor, não agora. O amor vem por último; o amor me roga pragas. Eu te quero entre as coisas insuportáveis; eu te quero sem os olhos, eu te quero em brasa viva, eu te quero até no inferno. Não me desgasto ao te querer; não sou dono de tanta pieguice. Eu sou fraco. Qualquer dia desses, tomaremos um porre juntos, fumaremos, indagaremos qualquer idealidade; fugiremos nus; e bêbados, sóbrios de tesão. E, no outro olhar, farei de ti um sujeito cismado; herdarei de ti os teus prazeres carnais. Porque os que se dizem ser machos são maricas quando as luzes se apagam.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Água gelada
É mais um desses invernos calorosos
Outro cara, outro cara que morre
É mais um porre de olhares
Devaneios de um sujeito arrogante
A crença do amor em terras distantes
A crença do amor em qualquer fotografia
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