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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Saudações!



Aventurei-me no amor, suavizei as cores. Pus-me a pensar, quis receber amor como quem recebia dinheiro. Acolhi a vida, deixei de lado a maconha, comprei salgadinhos; estou em pecado. Nos verões de minha cidade, passo a tarde debruçado sobre mesas. Engasguei-me com mágoas e palavras incertas, o mundo parecia-me coerente. Sinto falta de minha mãe. Nas ruas sebentas do meu Recife, assisto à velhinhas, observo seus murmúrios; é ausência de mãe. Adio o dia de hoje, ocupo-me com vaidades, estou quimicamente tratado. Pode vir algo bom de mim, estarei repousando.


quinta-feira, 15 de março de 2012

Monografia residencial


As coisas já não são mais as mesmas desde que minha mãe se foi. Não falo sobre futebol, sinuca, malhação... Não dou detalhes sobre a última garota com quem trepei. Ando inutilmente atordoado, paro de bar em bar, sinto-me incapaz de comer um doce e andar de bicicleta. Esgotou-se minha fé, dei crédito a muita burrice. Agora busco o meu fumo, acendo os meus cigarros, ausento-me do Blues, durmo no chão. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Memorial


Com o tempo, a dor enfraquece, e a saudade invade, e a saudade toma conta da gente. A saudade é dor sonhadora, não tem desapego, prende, puxa, solta, vai, volta, cede, e multiplica.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Entalado


Como as andorinhas se desprendem do verão, a minha mãe está indo embora. Atracou-se com a vida, esforçou-se ao saber que estava de saída. Mas, não voa, mamãe!