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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Quando


Quando eu lhe esquecer, espero que me entenda. E, saudando-nos uns aos outros, espero que vá em paz. Não me prenda. Levantai os olhos para os céus, nossas dores andam desgarradas; cada um se desviará pelo seu caminho. Já não compro cigarros, coisa espantosa para o meu corpo. Troquei de amigos, conheci outras drogas; preparei a guerra comigo mesmo. Sei bem quem sou. Mas não me dou ouvidos. Sou o mais rebelde, ando murmurando. Não cuspo no prato que como, o enfio goela abaixo. Quando estivermos longe, dará à teu coração um macho ajuizado, que compre mais do que ame, que coma mais do que sinta. Meu bem, querido da mamãe, não sabes que o amor não sobrevive quando a carne apodrece? Assim, se cumpriram todas as coisas. Perversidade há em meu coração. São todas as palavras da minha boca. Agora vá, longe de mim. Procura um condenado.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Maquiagem




Desculpe, mas sabemos que estamos ficando velhos. Quando a carne apodrece, o coração torna-se mesquinho; o cuidado com o corpo já é suportável. Era só dizer que me amava. Era só acender um cigarro comigo. Menino, você demorou muito. Os quartos foram todos ocupados. Os ensaios, as travessuras, as divergências. Os olhares. Estou reduzindo o consumo de drogas, não há qualquer reparação a ser feita. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Fantasmagoria


Houve um tempo em que o amor era público. Quebrava-se o encanto e impregnava-se a gaiatice. Os homens, mesquinhos e finos de tanto amar, casariam-se por pura ingenuidade. E a crença no amor pagão tornaria-se requintada, os carentes repousariam no lampejo da noite. Porque não  há cigarro, nem café, nem maconha que o arraste de volta. O amei nas horas em que precisava de uma mãe, não de um rapaz. O amei pausadamente. Mas Topy não importou-se com tanta pieguice. Acabou, Topy. Só me resta saber quando iremos nos olhar de novo. E se nos olharmos, que ainda reste certa incerteza de que as coisas não se tumultuam por causa do que se sente. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Monografia residencial


As coisas já não são mais as mesmas desde que minha mãe se foi. Não falo sobre futebol, sinuca, malhação... Não dou detalhes sobre a última garota com quem trepei. Ando inutilmente atordoado, paro de bar em bar, sinto-me incapaz de comer um doce e andar de bicicleta. Esgotou-se minha fé, dei crédito a muita burrice. Agora busco o meu fumo, acendo os meus cigarros, ausento-me do Blues, durmo no chão. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Estância


Ando bisonho, meu coração já encontra-se exausto. Não tive ideia de quanta mágoa repousaria em meu peito. Ando completamente só, estou ao léu da nostalgia; minhas entranhas estão encardidas. Fui feliz. Revivi feliz. Hoje amei, suei, escrevi cartas, desenhei nas portas; fundamentei-me na concepção de um amor desconhecido. E já não havia mais aquela ambição pelo cigarro, todos os fumos desembestaram-se de casa. E de meu pulmão. Agredi muita gente ao falar de amor. Depois desta semana, amo até o meu passarinho.


domingo, 29 de janeiro de 2012

Agrado


Me sinto só, fumei o meu baseado sem os amigos. Trago um cigarro na manga e dois no peito, eu sou teimoso. Esperei por um cara que insiste em dizer que me ama. Depois do fumo, fiquei na mesma: só. Ejaculei beijos, resmunguei, me apaixonei por ninharias.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Praga



Quem ama complica, quem ama pede muito; eu só tenho alguns fumos guardados. Não endoidei. Conheci o mundo ao léu da ventania, tiro proveito de tudo o que me atrai. Fiz guerra. Venci. Hoje nem amo, hoje nem enfrento filas de supermercados para comprar lembrancinhas. Enfrentei tudo em grande estilo. O amor deixa saudade: saudade de aguentar, saudade de lamuriar, saudade de berrar. Sinto um enorme carinho por aqueles que amam. E que saibam, irmãos: o amor é duradouro, não eterno.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012