Agora, pois, temei ao amor. Então, o que sentes, escreve-o num livro e envia-o aos teus amantes, aos teus répteis, às tuas desgraças. Ora, amar e gozar o que nos resta, o mistério do amor encontra-se na tua boca: o que dizes é o que amas, se maldizes, o teu amor não comerá o bem desta terra. E a tua boca não repreenderá os teus demônios, e a tua vida não será cobiçada, e as tuas palavras serão incertas, e o teu nome será riscado.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Memorial
Com o tempo, a dor enfraquece, e a saudade invade, e a saudade toma conta da gente. A saudade é dor sonhadora, não tem desapego, prende, puxa, solta, vai, volta, cede, e multiplica.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Entalado
Como as andorinhas se desprendem do verão, a minha mãe está indo embora. Atracou-se com a vida, esforçou-se ao saber que estava de saída. Mas, não voa, mamãe!
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Estância
Ando bisonho, meu coração já encontra-se exausto. Não tive ideia de quanta mágoa repousaria em meu peito. Ando completamente só, estou ao léu da nostalgia; minhas entranhas estão encardidas. Fui feliz. Revivi feliz. Hoje amei, suei, escrevi cartas, desenhei nas portas; fundamentei-me na concepção de um amor desconhecido. E já não havia mais aquela ambição pelo cigarro, todos os fumos desembestaram-se de casa. E de meu pulmão. Agredi muita gente ao falar de amor. Depois desta semana, amo até o meu passarinho.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Coroa
Cubro-me de candura
Estou amolecido
Repouso-me no regaço de Deus.
Dó de mim, Senhor!
Aqui ninguém deixa passar a luz
Aqui tem muita gente grosseira.
Mas levaste o meu coração
E rejuvenesceste os meus miolos.
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